Cabo de Tração do elevador

Existe um momento em que a empresa responsável pela manutenção dos elevadores do condomínio vai solicitar que você autorize a substituição do cabo de aço do elevador, também conhecido como cabo de tração do elevador.

Não apenas o cabo, é provável também que seja orçado também a troca das polias que fazem parte do conjunto de tração.

Sendo esse um tipo de serviço que representa um alto custo para o condomínio, é comum que neste momento apareçam uma série de dúvidas sobre este serviço e sobre este componente.

Dividi o texto nos seguintes tópicos, para que a sua leitura seja mais clara.

Estando já trabalhando há alguns anos nesta área, e já tendo visto inúmeras situações similares, escrevo este texto tentando dar algum tipo de suporte para os condomínios que passam por alguma situação assim.

Nesse texto, vou buscar esclarecer as dúvidas mais comuns que vejo, e explicar de forma definitiva o assunto para que você saiba o que você deve fazer no momento em que seu condomínio se encontra nessa situação. Boa leitura!

Cabos de Tração

Vamos começar pelo básico, que é entender o que são os cabos de tração e como eles trabalham dentro do conjunto do elevador.

É simples: os cabos de tração suspendem a cabina. Eles passam pela polia da máquina de tração, e também suspendem o contrapeso.

O giro da polia da máquina de tração é quem movimenta o elevador para cima ou para baixo. As outras polias existentes são chamadas de desvio ou de suspensão, e apenas guiam o percurso do cabo.

O cabo de tração é um componente mecânico feito a partir de fios de arame torcidos formando as pernas do cabo, que por sua vez são entrelaçados no entorno de uma corda, chamada de alma do cabo, a qual tem a função de dar flexibilidade ao cabo, dar sustentação às pernas e armazenar a lubrificação. Sua resistência para trabalhar sob tração é incrivelmente alta.

Quantos são os cabos em um elevador?

O número de cabos varia de projeto para projeto de elevador. É comum que a quantidade de cabos nos elevadores varie entre 3 e 8, sendo que a norma de segurança exige o uso de no mínimo de três.

Existe risco real de os cabos arrebentarem e o elevador cair?

Muito se fala sobre elevador cair. Em termos práticos, dentre as várias razões pela qual um elevador pode cair, uma das últimas delas é pelo rompimento dos cabos.

A norma de segurança, NM 207, exige que o fator de segurança usado para este componente seja de no mínimo 12 vezes.

Ou seja, mesmo que um elevador possua 8 cabos de tração, cada um deles é individualmente capaz de suportar toda a carga do conjunto.

Qual a vida útil dos cabos de tração do elevador?

É recorrente no mercado de elevadores se falar que os cabos devem ser trocados a cada 15 ou 20 anos.

Esta crença é, no entanto, equivocada.

Ao serem fabricados, os cabos e polia de tração não possuem vida útil estipulada. Sua vida útil é totalmente influenciável por fatores como a carga existente em cada cabo e intensidade de uso do elevador.

Outros dois fatores altamente determinantes são as condições de montagem – se estão adequadas ou não – e também as condições de manutenção dos cabos.

É razoável dizer que cabos que foram montados errados tenham vida útil tão baixa como 5 anos, enquanto conjuntos bem balanceados, bem mantidos, e de baixo uso possam durar mais de 40 anos.

Quando o condomínio deve autorizar a substituição dos cabos de aço?

Muitas dúvidas costumam aparecer quando a empresa responsável pela manutenção dos elevadores alega que é necessária realizar a troca dos cabos do elevador. Dependendo do porte do elevador, o procedimento é orçado por mais de 50 mil reais, e o condomínio pode se questionar da urgência e necessidade do serviço, e também sobre o custo elevado.

A primeira coisa que deve estar claro é a noção de urgência deste tipo de serviço.

O cabo ou polia não entra em condição de risco de uso seguro da noite pro dia. É uma evolução de desgaste e danos que dura anos. E mesmo quando a evolução é muito rápida, dura vários meses.

Então, não ocorrendo acidente ou falha específica – como um dos cabos escaparem do canal, ou se soltar – o procedimento de troca deve ser programado para ser realizado dentro de meses ou até mais de um ano.

Ou seja, em termos práticos, o procedimento de paralisar o elevador e falar que ele só pode voltar a andar se aprovada a troca dos cabos pois os passageiros estão em risco, deve ser analisado com critério, senão com desconfiança.

Em segundo lugar, deve ser verificada a real necessidade da execução do serviço. O que o condomínio precisa exigir da empresa de manutenção nesse caso, é que ela apresente um laudo atestando que as polias ou cabos se enquadram tecnicamente nos critérios de descarte.

Logo abaixo vou explicar o que são os critérios de descarte, e porque você deve exigir um laudo ou documento oficial da empresa atestando as condições dos cabos.

Antes disso vou somente fazer um comentário com relação ao custo desse serviço e se é possível o condomínio negociar este valor.

O custo de substituição dos cabos de tração tende a ser elevado. O serviço inclui a desmontagem dos cabos e das polias, o fornecimento de cabos novos e polias novas, montagem destes e ajustes finais.

Mas não é por isso que o condomínio deve aceitar qualquer valor proposto. Além de verificar a real necessidade do serviço, que é o foco deste texto, o condomínio deve orçar o mesmo serviço com outras empresas de manutenção e verificar se o preço orçado se encontra compatível com o preço de mercado. Se for o caso, é perfeitamente possível rescindir o contrato de manutenção e realizar o serviço com outra prestadora.

Por isso, se você está passando por essa situação, recomendo que procure uma análise independente para saber se é realmente necessaria a substituição dos cabos de tração do seu elevador.

Critérios de Descarte dos cabos

Como foi dito mais em cima, falar que os cabos têm 15 ou 20 anos de uso e que por isso tem que trocar não é uma justificativa suficiente para o procedimento.

Outra justificativa comum é dizer que o cabo possui arames quebrados e por isso está na hora de trocar. Apesar de ser uma justificativa melhor, ainda não basta, já que o aparecimento de quebras no arame dos cabos é natural do seu uso.

Dificilmente você vai encontrar um cabo com mais de 5 anos de uso que não possui alguns fios de arame quebrados.

Para isso, vou explicar de forma geral quais são os critérios de descarte que devem ser analisados, para que você entenda o tipo de documento que você terá de receber da empresa mantenedora para que possa autorizar ou não o serviço.

Uma informação definitiva para o descarte dos cabos de tração é pela contagem de fios quebrados. A quantidade de fios de arame quebrados e como essas quebras estão distribuídas ao longo do cabo, devem ser comparados com os critérios de descarte estabelecidos por norma ou diretriz técnica.

Outra informação definitiva é de desgaste superficial dos cabos, em que o diâmetro é severamente reduzido e logo a resistência dos cabos.

A incidência de oxidação ou irregularidade de montagem do cabo também pode causar sua condenação.

Portanto, solicite à empresa mantenedora algum documento afirmando que os cabos estão condenados por algum dos critérios acima. Neste documento deve estar falando o número de quebras medidas, e o critério de condenação utilizado.

Para a empresa é muito fácil mandar um e-mail falando sobre os cabos, ou comunicar verbalmente que existe a necessidade de troca do conjunto. Por outro lado, fazer um documento atestando isso descrevendo as medições feitas e assinar embaixo não é tão fácil, uma vez que, se as informações contidas no documento não forem verdadeiras, a empresa está se colocando em risco.

Critério de descarte da polia de tração

Os critérios de descarte indicam que a vida útil do componente está próxima ao fim.

Para a polia de tração, deve ser realizada uma análise dos canais da polia.

A polia possui canais nos quais os cabos passam. O detalhe é que os cabos não se apoiam no fundo da polia e sim em suas laterais, amplificando a capacidade de tracionamento. Ao longo do tempo os cabos vão desgastando os canais, e, quando o cabo está próximo de se apoiar no fundo do canal, significa que em breve o conjunto perderá o tracionamento. O critério de descarte é baseado nessa proximidade analisada.

Como solicitar que a empresa mantenedora regularize falhas de montagem e manutenção dos cabos de tração?

Lá em cima, eu mencionei que erros relacionados à montagem e manutenção dos cabos de tração podem consumir muitos anos de sua vida útil.

Aqui, vou explicar quais são essas falhas, como elas afetam a vida útil dos cabos, e como exigir que a empresa de manutenção corrija essas falhas.

Montagem

O primeiro erro relacionado a montagem que vejo ser muito comum, é de falta de equalização adequada no tensionamento dos cabos.

Seu elevador possui vários cabos, e eles de certa forma dividem o trabalho e desgaste entre eles. Se o elevador está montado com um dos cabos mais tensionado do que os outros, ele vai trabalhas sobrecarregado e os outros folgados. Os cabos folgados ainda deslizam na polia causando muito desgaste, e a vida útil do conjunto está severamente comprometida.

Um segundo erro de montagem que é comum é a utilização de molas muito macias, que ficam totalmente comprimidas, e não absorvem o impacto nas viagens do elevador.

Nos procedimentos de manutenção preventiva, uma falha comum é a de não executar a relubrificação dos cabos de tração. Os cabos de tração vêm com uma leve lubrificação de fábrica, que os protege de oxidação e diminui o desgaste pela abrasão entre os fios de arame não movimentação dos cabos. Na prática é comum vermos cabos com lubrificação esgotada e também cabos com crostas de sujeiras.

A falta de relubrificação adequada reduz a vida útil dos cabos.

Existem essas e outras falhas com os cuidados com os cabos de tração. Para exigir que sejam regularizadas, é necessário fazer a verificação dessas condições – normalmente feito por um consultor em elevadores. E comunicar a situação para a empresa de manutenção para que ela proceda à regularização.

Quanto custa trocar os cabos de tração?

A troca dos cabos de tração não é algo barato. Algumas empresas orçam a substituição de apenas um cabo por até 2 mil reais.

Pensando que se tem ainda o custo da mão de obra, esse valor pode chegar a valores altos, por isso uma análise da necessidade de troca é muito importante.

A empresa diz que um dos cabos arrebentou, e agora?

Quando somente um dos cabos arrebenta, é necessário trocar todos os cabos?

Quando um cabo de aço apresenta uma irregularidade, como um número de quebra de fios que a norma determina que deve ser trocado, ou em casos extremos onde o cabo arrebenta, é necessário que seja feita a troca do conjunto de cabos.

Então, não adianta colocar um cabo novo entre os antigos, pois ele não irá exercer a sua função adequadamente.

Como deve ser trocado o conjunto de cabos de aço, se o elevador do seu prédio tiver 5 cabos, essa troca não será barata.

Conclusão

Nesse post te mostrei o que são os cabos de tração do elevador e expliquei quando você deve autorizar sua troca.

É muito importante que os síndicos e administradores de condomínios saibam qual a real necessidade de troca dos cabos de tração. Assim, podem evitar acidentes ou despesas desnecessárias.

Muitas vezes a empresa coloca uma urgência sem apresentar nenhum documento descrevendo as medições feitas para a necessidade de troca.

Se você estiver em dúvidas quanto a troca dos cabos de tração do seu edifício, não deixe de entrar em contato. Já atendi vários edifícios que estavam no processo de troca de cabos de tração e acredito que posso te ajudar nessa situação da maneira mais eficiente!

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